Apresentação

Este blog tem como objetivo divulgar e compartilhar meu trabalho na Psicologia, publicar produções e reflexões sobre minha prática, sobre a pessoa e seus relacionamentos. O nome Ser e Crescer engloba muito de como penso e vejo o ser humano e me dirijo às pessoas com quem trabalho. Remete à beleza do ser como e quem se é, ao respeito, à acolhida e à aceitação incondicional do ser, e ao impulso intrínsico para o crescer. Estou profundamente comprometida com cada pessoa que está diante de mim e com seu crescimento, sabendo que este crescer é realmente possível.







quarta-feira, 30 de maio de 2018

Pare de imaginar e experimente a realidade: as bases da Gestalt-terapia


  Compartilho este artigo sobre a Gestalt-terapia, do site "A mente é maravilhosa" - https://amenteemaravilhosa.com.br/gestalt-terapia/. Muito bom!


Gestalt-terapia: pare de imaginar e experimente a realidade
A imaginação abre as portas da fantasia, mas ao mesmo tempo, nos afasta da realidade e do momento presente. O criador da Gestalt-terapia, Fritz Perls, fala sobre como esta terapia nos convida a viver no presente usando o espaço deixado pelas premissas sobre o futuro. Somente com os pés no chão poderemos nos conectar com o momento presente. Todas as outras coisas, por mais importantes que sejam suas consequências, não estão acontecendo agora.
A Gestalt-terapia é enquadrada dentro da psicologia humanista, que concebe o ser humano como um ser global, com uma mente, emoções e um corpo que formam um todo. Este tipo de terapia ajuda as pessoas a assumirem a responsabilidade pelo que lhes acontecee a promoverem a sua própria autorrealização e desenvolvimento pessoal. É uma psicoterapia que vai além das suas aplicações clínicas e pode ser adotada como um estilo de vida.
“A Gestalt-terapia se destaca mais pelo que evita fazer do que pelo que faz. Ela sustenta a ideia de que é suficiente estar consciente, estar presente e ser responsável, para que ocorra uma mudança”.  – Claudio Naranjo –
 Influências da Gestalt-Terapia
Esta corrente da psicoterapia foi criada durante os anos 50 por Fritz Perls, um psiquiatra e médico que, junto com sua esposa, a psicóloga Laura Perls, sintetizou sua aprendizagem em um tipo de terapia. Ela inclui os princípios da psicologia da gestalt, sendo considerada uma teoria bem desenvolvida que combina várias abordagens e as reutiliza para criar uma terapia específica.
Essa terapia enfatiza a concepção do indivíduo entendido como uma totalidade (gestalt).Rompendo com as psicoterapias tradicionais, a Gestalt vê o homem nos seus aspectos físico, mental e psíquico; são esferas indivisíveis e inter-relacionadas. De acordo com Perls, o homem tem uma forma natural de completar a sua existência, embora a gestalt possa estar incompleta, repetindo assuntos pendentes do passado no presente, sem permitir que novas figuras (assuntos) se manifestem no presente
Algumas influências que deram origem à Gestalt-terapia são: a psicanálise com seus mecanismos de defesa, as religiões orientais, o budismo, a filosofia existencial, a fenomenologia, o teatro e o psicodrama entre muitos outros. Autores como Paul Goodman e Isadore From contribuíram para que esse enfoque fosse desenvolvido além da terapia, estendendo-se a diferentes áreas sociais e pessoais.

O que é Gestalt-terapia?

A Gestalt-terapia é uma abordagem que se concentra no potencial da pessoa, mudando a visão de patologia por uma visão do indivíduo com seus próprios recursos e capacidade de autorregulação. É uma abordagem terapêutica que se concentra mais no processo do que no conteúdo. O terapeuta não perguntará “por quê”, perguntará “como” para que ele possa entender o processo, e não as causas do comportamento.
A Gestalt enfatiza as sensações físicas subjetivas e as emoções. Dessa forma, tenta ajudar a desbloquear as questões pendentes da pessoa que está em um processo de terapia. Esta abordagem tem aspectos comuns com a mindfulness, pois se concentra em ajudar a pessoa a aceitar o que está acontecendo, em vez de lhe propor nadar contra a corrente.
“Seja como você é, para que possa ver quem é e como é. Deixe por alguns instantes o que você deve fazer e perceba o que você realmente faz”.  – Fritz Perls –
   Além disso, um dos seus conceitos fundamentais é perceber ou “conscientizar”, isto é, ter a consciência do momento presente. Colocar a espontaneidade no controle, se permitindo viver e sentir o que está acontecendo em vez de evitar e resistir. Por exemplo, se você sentir uma emoção, deve expressá-la espontaneamente em vez de inibi-la ou aprisioná-la.

Os conceitos básicos da Gestalt-terapia

A Gestalt-terapia visa incentivar e aumentar o apoio que oferecemos ou que estamos dispostos a fornecer a nós mesmos, para que a pessoa tome consciência da sua responsabilidade sobre o próprio bem-estar psicológico. Existem conceitos importantes que são usados durante a terapia para atingir esse objetivo. Vamos ver quais são:

Tomar consciência

A tomada de consciência é um passo fundamental para que a pessoa perceba como está pensando, sentindo e atuando diante de situações concretas. Quando esses três eixos não estão alinhados, surge um mal-estar importante. Somente a partir dessa tomada de consciência as circunstâncias podem ser alteradas no momento presente.
Gestalt-terapia

O “aqui e agora”

Na Gestalt-terapia o presente é entendido como o único cenário possível, já que vivemos a vida como um “todo”. Portanto, se estamos trabalhando o passado, ele é abordado como se estivesse acontecendo no momento presente. Por exemplo, se a pessoa sofreu bullying no passado, o terapeuta pedirá que ela explique a experiência como se tudo estivesse acontecendo agora. Desta forma, o terapeuta lhe dá a oportunidade de resgatar emoções passadas, trabalhar com elas e gerenciá-las a partir do aqui e agora.

A responsabilidade

A pessoa é convidada a assumir a responsabilidade pelo seu comportamento, pelos seus pensamentos e suas emoções, mesmo que sejam negativos. A responsabilidade de si mesmo gera um maior senso de liberdade e autonomia nas pessoas. Dessa forma, adquirem uma maior capacidade de assumir os seus erros e aprender com eles. Uma estratégia muito usada é ajudar a pessoa a falar sempre na primeira pessoa e se apropriar das suas palavras.

Qual é o papel do terapeuta gestalt?

O psicoterapeuta gestalt acompanha a pessoa ou o cliente (não o chamam de paciente porque entendem a pessoa como sujeito ativo da terapia) para lhe facilitar o processo de amadurecimento em direção à idade adulta. Nesta abordagem, a relação terapêutica é horizontal, o que significa que o terapeuta não sabe mais do que o cliente.
Gestalt-terapia
O psicoterapeuta é um facilitador e não dá conselhos, mas ajuda a pessoa a encontrar as habilidades de que precisa para se autorregular e se fortalecer. A pessoa é o “especialista” da sua própria vida, e não há lugar para que lhe digam “o que deve fazer”. Dessa forma, a responsabilidade e a autonomia pessoal são restauradas.
Para concluir, o objetivo da Gestalt-terapia é facilitar um processo emocional onde o cliente possa se responsabilizar pelas suas emoções e “pagar o preço” de viver em conformidade e honestidade com elas. A honestidade, a sinceridade e a presença são valores fundamentais para a compreensão desta terapia.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pais e adolescência - algumas dicas e apontamentos!


          No dia 12 de agosto estive trabalhando um pouco sobre adolescência com os pais dos crismandos da Paróquia  São Pedro, de Gramado, RS. No encontro, resolvi deixar para os pais algumas dicas e orientações sobre pontos importantes no cuidado com este momento do desenvolvimento. Compartilho aqui, para que possam ser úteis para mais pais e cuidadores. Cabe pontuar que são somente alguns aspectos, e de forma alguma abarcam todas as necessidades.


  •   Pais são sempre pais! Não são amigos, colegas, parceiros....
         
            Cuidado para não confundir os papéis.
O aumento da autonomia dos filhos, com o crescimento, e da maturidade, pode ser confundido com uma relação de igualdade, horizontal, que não é verdadeira. Os adolescentes, mesmo com mais capacidade crítica, afetiva, maturacional, continuam sendo menores, não adultos e sob a responsabilidade dos pais.
            Pais são sempre cuidadores, e não aqueles que são cuidados. Cuidado com expressões do tipo “olha o que tu me fez passar”, “não faça isso comigo”, com responsabilizar seu filho por sentimentos, preocupações e trabalhos que são inerentes ao ser pai/ mãe, e não tem a ver com algo que ele faça contra você.
As conversas próximas, as idas a cinemas, festas etc., são sempre momentos de presença e proximidade importantes, mas nestes os pais continuam pais e não são os amigos.
            Os adolescentes não precisam que os pais ajam como seus amigos, mas como pais. Mesmo que reclamem, chamem de chato, careta, enfim.

  •          Afetividade

             Procure conversar com seu filho sobre suas experiências. Pode ser que ele não queira conversar, mas é importante que ele escute de você que está interessado e disponível para conversar quando ele quiser e precisar.
             Acolha os sentimentos e procure não criticá-los. É preciso ainda mais paciência para lidar com os sentimentos na adolescência, pois estes mudam com muito mais frequência. As orientações e correções, se necessárias, são para atitudes, não para sentimentos. Não há nada errado em sentir raiva, medo, tristeza, por exemplo. São só sentimentos e experiências importantes. A questão, o certo ou errado é a atitude que é tomada diante dos sentimentos.
 Por exemplo, se sua filha está muito brava porque um colega zoou dela, você pode dizer o quanto a entende porque é muito chato mesmo quando zoam de nós. Cuidado com expressões do tipo “não dá bola”, “não é nada”, “isso passa”, ou qualquer coisa deste tipo. Depois de acolher, você pode conversar com sua filha o que pode ser feito diante desta situação.
            Se você não souber o que dizer ou fazer, tenha certeza que fará muita coisa acolhendo os sentimentos e a experiência do seu filho.

  •     Limites

 Os limites são fundamentais para a saúde emocional do adolescente. Tenha claro que os limites são cuidado e forma de amar.
Deixar fazer o que quer, não responsabilizar, no fundo significa não valorizar, não dar importância para com o que acontece.
            Nenhuma criança ou adolescente irá pedir: mãe, pai, me dêem limites. Eu preciso de limites!!!! Irá dizer isso de formas não verbais, na maioria das vezes não tão claras.
            Os adolescentes continuam precisando de limites, assim como quando crianças. Muitas coisas já podem sozinhos, mas muitas outras não. Ainda não são responsáveis por si completamente.
            Os limites estão vinculados com um sentido claro, ou de moral, ou de combinações para a boa convivência. Por exemplo, não agredir verbalmente ou fisicamente irmãos ou pais, se trata de um limite moral. Mas há regras que são de convivência e combinações da família, como horário das refeições, horário de dormir, não usar celular nas refeições, enfim. Essas combinações precisam ser claras, e combinadas entre os pais/responsáveis.
Limites que não são combinados e acordados entre os pais, tendem a dar problema. Crianças e adolescentes percebem muito facilmente a incoerência e podem aí fazer aquilo que mais lhe satisfizer, que não necessariamente será o melhor. Muito provavelmente não.
            Limites precisam ser lembrados. Não tem jeito! Não desista!  Todos precisamos ser lembrados do que precisamos viver, e os pais vivem isso mais intensamente. Na adolescência já menos do que na infância, mas ainda acontece. Lembrar do combinando de lavar a louça, por exemplo, diferente da criança que precisa ser lembrada e conduzida a tomar banho.
            Cuidado com liberdades exageradas. Adolescentes não podem viver trancados no quarto. Os pais precisam conhecer a rotina dos filhos, e isso não quer dizer invasão ou falta de confiança. É cuidado. Saber o que costuma ver na tv, no celular, na internet....

  •       Vínculo

                Demonstre afeto, amor. Diga “eu te amo”, mesmo que a resposta seja “tá, eu sei!”.
                Porque o amor sempre é bom que seja comunicado, tanto direta como indiretamente.
                Procure passar tempo com seu filho, cultivar o vínculo e manter-se próximo.

                Ele está crescendo, mas ainda precisa, e muito, de você.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Carta de algum Eu a algum Tu!

Se porventura eu conseguir coragem e decidir me abrir contigo e compartilhar meus sentimentos, te peço: tenhas cuidado! Por gentileza, acolha. Não me julgue. Não me diga que é bobagem, ou que não tem importância. Tente tratar minha experiência como se fosse tua. Talvez para ti não seja importante, mas para mim é. Sentimentos são diferentes de fatos, e cada um experimenta de forma diversa. Minha experiência é diferente da tua. Se tu não souberes o que dizer, não diga nada. Tua presença já é importante. Se quiseres, podes compartilhar comigo como minha experiência te toca e como te sentes com relação a ela. Tua perspectiva me acrescentará!

No caso de se tratar de opinião sobre algum assunto, e tu discordares, tente respeitar. Diga-me tua opinião sem tentar me convencer dela, mas será importante para mim por ser tua opinião. Talvez me ajude a ampliar minhas ideias e aprimorar meu pensamento!

Se no momento não tiveres condições, por qualquer motivo, e não puderes ter espaço para o que tenho a dizer, podes dizer que não é um bom momento e que em outra hora poderemos conversar. Apesar de não ser o que gostaria, será melhor assim do que falar e não ter espaço para mim, não ser ouvido.


 Agradeço a tua abertura e contribuição na minha experiência, na minha vida.


Silvana Elisa Kloeckner Guimarães
Psicóloga